Volta ao Distrito de Setúbal em bicicleta

Serra da Arrábida, Domingo, 9  de Janeiro de 2011

Propus a mim próprio um pequeno desafio de fim-de-semana, rolar de bicicleta em redor de todo do distrito de Setúbal, desta vez por asfalto, um passeio pela dimensão humana e geográfica, servindo ao mesmo tempo este “passeio”,  de homenagem,  mas também de  "volta"  crítica a um distrito, rural, no seu intimo, mas com uma vocação industrial ,embora algo ambígua, sem saber qual escolher das vertentes, a turística ou a indústria pesada, transformadora, assim, hoje dia 9 de JANEIRO DE 2011,  iniciei mais uma pequena odisseia, diria que é uma volta a “Liliput”,  dada a pequenez do Distrito de Setúbal, em paralelo com o tamanho de outros destinos.
Comecei, como não poderia deixar de ser, por contornar a franja costeira a Norte do Sado, no sentido dos ponteiros do relógio, pela serra mais alta do distrito, a Serra da Arrábida, a cereja do bolo ou o “ponto” do I onde InIcIo “I” IreI terminar a volta a esta Jurisdição, depois de atravessar o rio Sado em ferryboat, vindo do Alentejo.
Auspiciosamente o dia apresentava-se solarengo, contrariamente aos últimos dias de chuva, com muita gente passeando pelas praias, fiquei impressionado com o reavivado desejo dos  Setubalenses e dos Portugueses  em geral em apreciarem os espaços livres, fizeram-me pensar na carência que Setúbal tem de um imenso passeio ribeirinho, estando ladeada de “uma das mais belas baías do mundo”, pelo menos é assim que a querem “vender” , os nossos políticos corporativos e mesquinhos, não que não seja verdade, a dimensão desta baía,  imortalizada pelo poeta Sebastião da Gama não tem concorrência, esqueceram-se todavia, esses ditos políticos de algibeira (dos outros), de fazer o mínimo admissível por salvar esta nossa “Serra Mãe” do vandalismo sazonal de certas ditas civilizadas gentinhas que abandonam toneladas de lixo, todos os fins de tardes e todos os anos, durante os meses de verão, e também da construção arbitraria de quem com dinheiro e influencias diz a boca escancarada “vivo na Arrábida”, como se o seu usufruto lhes tivesse sido delegado por dadiva divina.
Às dez da manhã encontrava-me subindo a penosa mata do solitário, depois do Portinho e local de pasto de várias raposas famintas, testemunhas silenciosas da falta de lucidez de quem as alimenta diariamente,  como se fossem matilhas de cães esfaimados, depois a estrada bifurca-se ,uma vai para o Convento da Arrábida e a outra a caminho  de Azeitão, onde habito, a estrada curva  de novo, mas para Sesimbra, confundo-me com as chusmas de ciclistas que aos domingos de manhã percorrem estas estradas pouco inclinadas (antes do almoço), infelizmente não se vê este folclore aos dias de semana, seria óptimo deixar  de ser  quase o único alvo móvel dos automobilistas “descuidados” aos dias de semana e nas noites sem lua, vindo do trabalho em Setúbal ,as probabilidades de sobreviver  na estrada aumentariam par mim substancialmente (os condutores estariam mais habituados a ciclistas).
Depois de Santana, sigo pela estrada indicada na placa, “Sesimbra Nascente” com 12% e 17 % de inclinação no seu início, já que estou fazendo a volta ao distrito será importante ser honesto e contorna-lo o mais próximo possível da sua fronteira, neste caso, a marítima, a paisagem vista deste ponto da Arrábida, sobre Sesimbra é tão fantástica que nunca me canso de parar neste mesmo caminho sempre que posso.
A primeira paragem é no centro da vila para almoçar uma feijoada de choco bem regada com vinho, o desgaste foi grande e nada melhor que uma refeição forte para recompor, pensava eu erradamente, a subida até ao castelo, pelo lado Ocidental da Vila, de onde tencionava continuar para a aldeia do Meco, foi de tal maneira difícil, depois do almoço, que decidi deixar para um outro fim-de-semana a continuação da volta ao distrito.

Inicia-se um novo ano de novos projectos, A “rota da seda” , em bicicleta será um deles, Irei neste verão conhecer Constantinopla (ou Istambul )e embrenhar-me por uma Turquia ancestral, pra'lém do “Expresso do Oriente” com a família, foi auspicioso ter conhecido com eles Santiago de Compostela, e me dê sorte também no caso da Rota da Seda, assim  o deserto do Gobi me acolha  em paz no seu caldeirão quente,  sem magoar muito, Samarkand me aloje e o Dragão Chinês com três cabeças, não me devore, a ver vamos. 
Abdicarei por algum tempo de chegar a Cap de Creus, perto de Barcelona, no Mediterrâneo e em passo de corrida, falta-me metade do percurso, em 20 10 cheguei a Biadós, noutra latitude, e, para chegar ao Cantábrico desde Faro, de bicicleta faltam cerca de 600 km,  mas não tenho dúvidas sobre a realização de todos os meus projectos de Transhumante, os Deuses (na falta doutros) são bons leitores dos meus Blogs…obrigado...

(continua)

Jorge Santos
(01/2010)
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